Na luta contra câncer de mama, mulheres encontram apoio na Santa Casa



Realidade enfrentada por 52 a cada 100 mil mulheres, o câncer de mama é um mal que pode ser vencido. Para marcar outubro, um mês de luta contra a doença, a equipe do COM (Centro Oncologia da Santa Casa de Misericórdia de Marília) apresenta sua estrutura e destaca as principais ações que tem ajudado mulheres da cidade e da região (área de abrangência de 62 municípios) na luta pela vida. Histórias de sucesso e superação não faltam.

Com determinação, apoio da família e suporte médico adequado, a funcionária pública Letícia Muzzi, 44 anos, encarou e venceu a doença. Ela conta que descobriu uma neoplasia no final de 2010. A intervenção foi rápida e bem sucedida, mas foi preciso passar por todos os transtornos da cirurgia, quimio e radioterapia.

“Não acreditei que estava acontecendo comigo. Foi um susto muito grande, mas depois fui buscando informação, tranquilizei minha família e também fiquei mais tranquila. Felizmente, hoje, um câncer não é mais um atestado de óbito como era antigamente”, afirma Letícia.

Por semana são realizadas em média dez cirurgias, além de atendimentos ambulatoriais, sessões de quimioterapia e cirurgias reconstrutivas, para resgatar a autoestima das pacientes após o tratamento. Na avaliação de Letícia, a qualidade em todas as etapas foi um fator a mais para sua recuperação. 

“Os médicos e os funcionários são muito prestativos, passam segurança para o paciente. Enfrentar um câncer é terrível, a pessoa fica muito fragilizada. A cura não depende só de querer e se medicar, é preciso muito mais”, acredita a funcionária pública, que hoje faz parte do “Amigos do COM”, um grupo voluntário que promove reuniões e ações de integração, em  apoio aos pacientes em tratamento e familiares.

Apesar da estrutura e dos avanços na tecnologia de equipamentos e fármacos, a maior arma para elevar as chances de cura contra o câncer de mama é a detecção precoce. Fundamental para as mulheres é perder o medo, ou preconceito, de se tocar e fazer o autoexame.

O médico ginecologista e mastologista Carlos Alberto da Silva Giandon, integrante da equipe cirúrgica da oncologia da Santa Casa, explica que o diagnóstico precoce (nódulos de até três centímetros) pode ser determinante. O índice de cura é superior a 90%, quando a detecção ocorre na fase inicial.

Segundo o especialista, 80% das neoplasias são benignas, ou seja, são tumores que não possuem a capacidade de crescimento típica das células cancerígenas em metástase (atingem outras partes do corpo). Pelo menos 60% das pacientes precisam de cirurgia. 

Como a remoção do nódulo acarreta em perda da glândula mamária, é fundamental que o procedimento seja feito mais rapidamente possível, para evitar a chamada mastectomia, ou perda total da mama. Em alguns casos, a quimioterapia é feita antes da cirurgia, a fim de reduzir o tumor e evitar intervenção mais severa, explica o mastologista.

Recomendações

O Ministério da Saúde preconiza que a mamografia (exame de imagem) seja feita a cada dois anos, depois que a mulher completar 50 anos. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia defende o início da investigação aos 40 anos de idade. Já o autoexame deve virar rotina a partir dos 20 anos, pelo menos uma vez por mês (após o período menstrual) ou sempre que a mulher observar algum tipo de alteração. Além desses cuidados, o médico recomenda o exame clínico anual. 

Todos estes cuidados são fundamentais, mas é importante que o Estado ofereça a estrutura necessária para o diagnóstico. Giandon, que também coordena o programa de prevenção ao Câncer de Mama no âmbito do município, revela a preocupação com o reduzido número de mamógrafos e exames oferecidos pelo SUS.

“Em Marília são cinco mamógrafos em funcionamento, para uma população de dezenas de milhares de mulheres, com recomendação de mamografia periódica. Quanto mais se examina, mas rapidamente podemos detectar neoplasias. É preciso que sejam retomados os mutirões de mamografia para ampliação do acesso ao exame”, defende Giandon.

Para o mastologista e cirurgião Wellerson de Aguiar Miranda, que faz parte da equipe da Santa Casa de Marília, há uma importante evolução no tratamento cirúrgico do câncer de mama, com cirurgias menos mutiladoras, sem comprometer o tratamento oncológico. Ele relata que a Sociedade Brasileira de Mastologia, da qual faz parte juntamente com Giandon, atua numa campanha nacional denominada “Eu amo meus peitos”, que alerta a sociedade para a importância do tema.
“Existe um compromisso técnico e ético em otimizar o atendimento e a resolução de cada caso com acompanhamento feito por mastologistas, oncologistas clínicos, cirurgiões oncológicos e plásticos, psicóloga, terapeuta ocupacional, nutricionistas e enfermagem na busca por um atendimento mais humanizado”, assegura Miranda.

Hospital traz recursos por meio do “Outubro Rosa”

Apesar do déficit para mamografia, graças a parceria entre a Santa Casa de Marília, Instituto Avon e Secretaria Municipal de Saúde, Marília é a única cidade do Estado de São Paulo que conta com um ambulatório secundário, especializado na prevenção do câncer de mama. 

O serviço funciona na UBS (Unidade Básica de Saúde) alto Cafezal e foi estruturado a partir de um projeto apresentado pela Santa Casa, que obteve aporte financeiro de R$ 200 mil para o custeio das instalações e equipamentos.

Por meio do mastologista Carlos Giandon e do enfermeiro Márcio Mielo, coordenador de gestão da Santa Casa de Marília, além de uma equipe de dezenas de colaboradores, o hospital coordenou até 2011 as ações da campanha Outubro Rosa na cidade. 

Voluntários e profissionais especializados de entidades como a Rede Mulher, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, ACC (Associação de Combate ao Câncer), entre outras, foram responsáveis por várias conquistas, viabilizadas junto ao Instituto Avon.

O movimento internacional está presente em mais de 100 países. Surgiu nos Estados Unidos como uma forma de mobilização pela informação e prevenção ao câncer. Nos últimos anos o Outubro Rosa ganhou popularidade, ao adotar o tradicional laço rosa em grandes proporções e iluminar alguns dos principais monumentos do mundo, para marcar o mês da campanha.








Fonte: Assessoria de Imprensa
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