Atendimento ambulatorial pelo SUS cresce 8,68% no semestre


Depois de oito cirurgias, dez anos de tratamento e dezenas de consultas, a adolescente Beatriz Bicalho Sartori, de 13 anos, se prepara para uma nova intervenção cirúrgica, na esperança de ampliar os movimentos das pernas. A adolescente é paciente do SUS (Sistema Único de Saúde) e faz parte da crescente demanda da Santa Casa de Misericórdia de Marília. A instituição encerrou o primeiro semestre do ano com mais de 60 mil atendimentos ambulatoriais (não incluídos exames laboratoriais, de imagem e outros procedimentos diagnósticos) pela rede pública, um aumento de 8,68% em relação ao mesmo período de 2011.

De janeiro a junho do ano passado, foram abertas 56.111 fichas de atendimento pelo SUS. Já nos seis primeiros meses desse ano, foram 60.983. São pacientes encaminhados pela rede básica de saúde de Marília e mais 61 municípios, da área de abrangência da DRS IX (Direção Regional de Saúde). 

A coordenadora de negócios da Santa Casa de Marília, Márcia Mota, explica o conceito de atendimento ambulatorial. “São consultas, avaliações pré-anestésicas, sessões periódicas como hemodiálise e fisioterapia, além de outros procedimentos que não exigem a internação do paciente”, esclarece. Quando se investe nesse tipo de atenção, a saúde pública ganha com a redução das internações.

Os ambulatórios de cardiologia, ortopedia, oncologia, fisioterapia e nefrologia (doenças renais) continuam com a maior demanda. O número de especialidades também aumentou. Desde o final de 2011, a Santa Casa passou a contar com o ambulatório de otorrinolaringologia, que registrou no 1º semestre 564 atendimentos. 

Outro termômetro para o aumento de produção, pelo SUS, é o atendimento pré-anestésico. Em seis meses, o número de consultas de pacientes em preparação para cirurgias cresceu 15,71%. É o caso de Beatriz, a adolescente de Adamantina, que após atendimento do anestesiologista, está pronta para a nona cirurgia.

A estudante caminha com dificuldades. Ela conta que perdeu parte dos movimentos, depois de uma infecção tratada de forma inadequada, na cidade onde mora. Após anos de angústia e temor pela perda dos movimentos, a família conseguiu o encaminhamento para a Santa Casa de Marília, onde o problema foi diagnosticado. “Já precisei ficar 20 dias internada e fui muito bem tratada, com atenção e carinho. Hospital nunca vai ser bom, mas pelo menos superei o medo”, afirma Beatriz.

A tia de Beatriz, Natalina Bicalho Guido, destaca a estrutura da Santa Casa e a dedicação da equipe da ortopedia. As constantes consultas médicas, internações e cirurgias limitaram as brincadeiras de criança, mas deram a Beatriz a oportunidade de lutar contra as limitações. “Os profissionais daqui viraram nossos amigos, acompanharam a nossa luta e nos conhecem pelo nome. Existe um cuidado a mais com as pessoas. O hospital faz até o que não é obrigação. Isso é um diferencial”, avalia Natalina.

INTERNAÇÕES

O aumento do atendimento ambulatorial contrasta com a redução das internações.  No primeiro semestre de 2011, pacientes do SUS foram responsáveis por 1.810 internações na Santa Casa de Marília. Já este ano, esse número caiu para 1714.  

Para a superintendente da instituição, Kátia Ferraz Santana, esse indicador reflete a redução da hospitalização, a partir de uma política mais afinada com a prevenção e o atendimento de média complexidade. “Os ambulatórios estão sendo resolutivos e dessa forma temos um saldo positivo para as instituições, o Estado e a saúde da população”, pontua.

Paciente SUS conta com estrutura de clínica médica

O paciente ambulatorial, encaminhado pela rede básica, tem acesso à Santa Casa pela portaria da rua 21 de Abril, no bairro Maria Izabel. A sala de espera com dois ambientes acomoda cerca de 200 pessoas sentadas. A unidade conta com cadeiras de rodas, televisores, monitores para conferência das senhas, banheiros totalmente adaptados e acesso a uma lanchonete interna. 

A entrada é independente da portaria principal devido ao grande fluxo diário de pacientes e profissionais. Os ambulatórios estão concentrados no mesmo setor, evitando a circulação desnecessária pelo hospital. O objetivo é manter a tranquilidade dos pacientes internados e a salubridade (redução do risco de infecções) nas alas de internação. 

A coordenadora de Negócios, Márcia Motta, conta que a recepção dos ambulatórios acaba de ser informatizada, com a introdução de um novo sistema em todo o hospital. A partir da abertura do cadastro inicial, todas as informações do paciente (consultas, procedimentos, exames, cirurgias) são arquivadas no mesmo banco de dados. O sistema permite maior controle e minimiza as chances de falhas humanas.

Por enquanto, o atendimento ainda é feito por ordem de chegada, a partir da retirada de senha, mas o hospital pretende lançar uma campanha para conscientizar as prefeituras (responsáveis pelo transporte da maioria dos pacientes) sobre o agendamento por horário. 

O objetivo é reduzir a espera, já que atualmente muitos municípios deixam os pacientes sempre de manhã, independentemente do horário da consulta. “O sistema informatizado é capaz de organizar os agendamentos com mais precisão, não apenas pela data, mas para utilizar todos estes recursos, precisamos de cooperação”, explica.





Fonte: Assessoria de Imprensa
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