background

Notícias

Santa Casa recebe a Apae e debate inclusão no mercado de trabalho

post image
Coordenadora Pedagógica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais em Marília, Renata Alves de Marchi Sândalo, falou sobre a adaptação dos deficientes e as condutas que os colegas de trabalho devem adotar nas empresas 

Tratamento infantilizado, excesso de brincadeiras, falta de treinamento e de diálogo são alguns fatores que podem dificultar a adaptação de um deficiente intelectual no mercado de trabalho. Além de vencer a resistência das empresas, trabalhadores com síndrome de down e outros quadros de déficit intelectual podem ser vítimas daqueles que, intencionalmente, tentam ajudar, mas desconhecem algumas dicas importantes.  Para promover educação e informação, a Santa Casa de Marília recebeu, na última sexta-feira (28), a coordenadora pedagógica da Apae (Associação de Pais e amigos dos Excepcionais) Renata Alves de Marchi Sândalo, para uma capacitação com encarregados de mais de 50 setores do hospital.

O encontro foi promovido por iniciativa da gerência de RH (Recursos Humanos), por meio da Coordenadoria de Gestão Institucional. O enfermeiro Márcio Mielo, responsável pelo setor, explica que a inclusão está na pauta das empresas socialmente responsáveis, independente do segmento em que atuam. Na área da saúde não é diferente em um grande hospital como a Santa Casa, diversas atividades podem ser feitas por trabalhadores com algum tipo de deficiência, inclusive intelectual.

Renata é responsável, com apoio de uma equipe multidisciplinar, pelo encaminhamento e acompanhamento de alunos da Apae ao mercado de trabalho. Durante o encontro, ela lembrou a importância de uma definição simples, mas que confunde muita gente.  “É preciso diferenciar a doença mental da deficiência intelectual. A doença mental engloba uma série de condições que causam uma alteração na sua percepção da realidade e sendo uma doença psiquiátrica que deve ser tratada por medicações, acompanhamentos psiquiátricos, e em alguns casos até mesmo internações, bem diferente do deficiente intelectual, que tem algumas características específicas, incluindo limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades, mas não podem ser considerados, por definição, doentes”, explica. 

O exemplo mais comum são as pessoas com síndrome de down. A pedagoga explica que, por força da legislação, o mercado de trabalho tem se aberto para eles, porém ainda faltam cursos profissionalizantes direcionados, conscientização das empresas e das famílias dos deficientes. 

Um avanço recente foi a alteração da Loas (Lei Orgânica da Assistência Social), que permite a suspensão do BPC (Benefício de Prestação Continuada), ao invés de cancelamento. O benefício garante aproximadamente um salário mínimo por mês ao deficiente, pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) Com a maioria das empresas não paga acima desse valor, o aluno acaba sendo desestimulado a trabalhar pela própria família. “Temos alertado os pais e responsáveis para a importância da autonomia do indivíduo. Ele deve ir além, não pelo dinheiro, mas pelo seu direito à inclusão”, afirma a pedagoga.

Além disso, explica Renata, a expectativa de vida dessa parcela da população também tem aumentado. “Lembramos às famílias que a inserção social pode minimizar rupturas, na eventual ausência dos pais ou responsáveis”, destaca. 

Os participantes do encontro na Santa Casa puderam tirar dúvidas sobre o comportamento adequado no ambiente de trabalho (ver box abaixo) e especificidades da deficiência intelectual. Também relataram experiências profissionais que ilustram as dificuldades e a satisfação de colaborar com a inclusão. 

Para a gerente de RH do hospital, Adriana Bertoncini Tomé, o encontro com a pedagoga aproximou dos colaboradores da Santa Casa de um assunto importante, que já faz parte da rotina da instituição, mas deve ser ampliado. “É uma questão não apenas de respeito à legislação, mas de responsabilidade social e compromisso com uma nova sociedade, mas humana e inclusiva”, disse.

SERVIÇO – Nos últimos quatro anos, a Apae de Marília conseguiu colocar no mercado de trabalho uma média de 35 alunos. Após a contratação, eles são acompanhados por um ano pela equipe multidisciplinar da instituição, composta por pedagoga, assistente social, psicóloga, terapeuta ocupacional e outros profissionais. 

Após esse período, são desligados da instituição, mas podem regressar caso percam o emprego por qualquer motivo. Não há limite de idade. A entidade oferece atendimento educacional, terapêutico e social. Recente parceria com o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) tem contribuído com a inclusão. A escola do sistema “S” foi a primeira de Marília a firmar parceria com a associação, para atender alunos deficientes.

Renata explica que o atendimento das APAEs já foi muitas vezes caracterizado pelo assistencialismo e dependência, mas atualmente as entidades têm trabalhado com uma nova proposta. “Buscamos a autonomia do indivíduo e para isso contamos com profissionais capacitados em diversas áreas, que trabalham não apenas com boa vontade de ajudar, mas com muito conhecimento técnico. Nossa alegria é quando um aluno passa em um processo seletivo, ingressa no mercado de trabalho, ou quando é incluído na rede regular de ensino e enfim, conquista sua independência”, finaliza Renata. A Apae Marília está localizada à rua Raul Torres, 70, Fragata.  Mais Tel. (14) 3402-1400

O certo e o errado

- Não trate o colega de trabalho ou funcionário com deficiência intelectual como criança. Eles devem ser tratados de acordo com a idade que têm. Jamais fale imitando criança, infantilizando a voz;

- Não estimule comportamentos inadequados. Pedir para seu colega deficiente ficar repetindo brincadeiras, palavras e gestos só compromete seu crescimento. Não é engraçado;

- Corrija. Não deixe que uma tarefa seja feita de forma indevida, só porque seu colega de trabalho tem alguma deficiência;

- Adapte. Em caso de limitação física, além da intelectual, crie condições ergométricas para que o deficiente possa trabalhar; 

- Limite o contato físico. Manifeste respeito e carinho, como faz com qualquer pessoa, mas mostre que abraços, beijos, cumprimentos e outras formas de contato tem hora;

- Comemore as conquistas, promova, aumente a responsabilidade de acordo com o mérito;

- Disponibilize assistência psicológica e social;

- Demita, se for necessário;

- Ouça. Eles têm muito e ensinar;



Comentários Facebook:
background

Links Úteis

Acesso a Informação
Doações
Mc Dia Feliz
Trabalhe Conosco
Revistas
Portal RH