Em defesa da Santa Casa
Fiel ao projeto de profissionalização e modernização traçado pela provedoria, Norival Carneiro é participativo, conciliador e diplomático, mas vira uma fera na defesa da instituição.
Quem não conhece a doença pela própria experiência, não sabe o que é. A afirmação é do pecuarista Norival Carneiro Rodrigues, vice-provedor da Santa Casa de Misericórdia de Marília. Filho de comerciantes, ele aprendeu a arte de administrar com a vida. Parte dessa habilidade, tem compartilhado com a instituição desde a década de 90. É braço direito e amigo do provedor, Milton Tédde. Norival Carneiro Rodrigues é uma das personalidades que tem feito a diferença no dia a dia do hospital. Nori é “Gente de Casa”.
A relação do vice-provedor com a filantropia e com Marília vem de berço. Nori, como é chamado pelos amigos, nasceu em 1949, na Maternidade Gota de Leite, tradicional unidade de saúde que, assim como a Santa Casa, não tem fins lucrativos. Seus pais, senhor Alexandre e dona Lourdes, aqui criaram seus sete filhos. Foram proprietários das antigas lojas Vigorelli, referência em eletrodomésticos, na rua Nove de Julho.
Foi com o pai, aos 12 anos, que Nori começou a trabalhar. Aprendizado e boa formação o levaram, aos 23 anos, ao primeiro e único emprego com carteira assinada. A função era auxiliar de gerência, no prestigiado banco Mercantil de São Paulo, e posteriormente ocupou a gerência da Finasa. Após três anos e meio como empregado, deixou a instituição para investir na atividade rural.
Casado atualmente com a psicanalista Silvana Maria Francisco Neves do Amaral, mãe de Mariana. “Vovô coruja” da pequena Maria Luiza, Nori tem mais três filhos: Fernando, Carla e Paola. Ele considera que a família é primordial na sua vida.
Entre uma viagem e outra, a trabalho, Nori está presente na Santa Casa. “Gosto de andar pelo hospital, conversar com as pessoas, saber as necessidades, os problemas, o que está dando certo e o que não está. Só assim podemos ajudar”, afirma.
Conviveu, no passado, na diretoria do Marília Tênis Clube, com os amigos Milton Tédde, Eleudino Garcia e Júlio Brandão, que o convidaram para fazer parte da irmandade da Santa Casa. “Me senti preparado e resolvi dar minha contribuição”, recorda.
Era 1997. Dois anos depois Norival foi indicado para a tesouraria, um setor importante, com atribuições que ele conhecia muito bem. Ficou no cargo até 2009, quando foi eleito vice-provedor. “A Santa Casa para mim é um segundo lar. Eu adoro trabalhar aqui. Sempre tive muita facilidade de comunicação, e o bom contato com os funcionários e demais diretores me dá muita força para continuar”, atribui o vice-provedor.
SAÚDE - Como mariliense, Nori afirma que é preciso fazer sempre mais pela cidade, defender as instituições, tornar as entidades filantrópicas fortes, independentes e dignas de respeito. Mas para conquistar esse status, ressalta, é preciso gerar resultados efetivos para a população e ajudar a quem mais precisa.
Na filantropia, os desafios são diários, especialmente quando se administra um orçamento apertado e uma tabela SUS (Sistema Único de Saúde) deficitária. “A Santa Casa de Marília é uma grande empresa, porém é diferente de qualquer outra. Nossa meta não é lucro, é melhorar a vida das pessoas, atender mais gente e continuar suprindo a demanda da sociedade”, afirma.
Compreendendo a Santa Casa
Para o vice-provedor da Santa Casa de Misericórdia de Marília, Norival Carneiro, mesmo após completar 84 anos, a instituição ainda não é compreendida pela maioria dos marilienses. Ainda há equívocos (alguns intencionais e maldosos) sobre o atendimento prestado pelo hospital, principalmente em relação ao SUS (sistema Único de Saúde).
Norival lembra que hospitais como a Santa Casa surgiram há séculos, para preencher uma lacuna do Estado, que antigamente não se responsabilizava pela saúde da população. As misericórdias são entidades filantrópicas, ou seja, pertencem à sociedade civil organizada e não aos governos. Estatutos regem seu funcionamento. A de Marília é administrada por meio da Irmandade (colegiado de voluntários), Conselho de Administração (representantes da sociedade) e da Diretoria Executiva, os únicos remunerados.
A excelência nos serviços prestados e a importância da entidade para a região, na avaliação de Norival Carneiro, são frutos do empenho de seus profissionais. “A Santa Casa é o que é hoje graças a dedicação especial que os funcionários tem com a entidade. Todos são conscientes da nossa missão como hospital filantrópico. Por isso somos gratos”, finaliza Nori.
Comentários Facebook: