Funcionários e acompanhantes produzem sapatos de tricô para doar a pacientes internados; iniciativa chama a atenção e vai parar nas redes sociais
A queda da temperatura exige atenção também com os pés e serve de inspiração para a criatividade dos voluntários da Santa Casa de Misericórdia de Marília. Um projeto desenvolvido por funcionários, com apoio de acompanhantes e até de pacientes tem chamado a atenção. De ponto em ponto, com movimentos coordenados, sapatos de lã surgem das mãos habilidosas das tricoteiras voluntárias e ajudam a minimizar o desconforto nos pés de quem está hospitalizado. Mais de 60 pares já foram confeccionados e estão sendo distribuídos.
A iniciativa começou com a assistente administrativa Marta Cristina Seiko, que atua no serviço social. Nas horas de folga e intervalos, ela produziu as primeiras peças. A técnica é simples: primeiro são confeccionados quadrados de lã em dimensões proporcionais. Depois as partes são unidas, com arremates que dão forma aos sapatos. Diferentes cores e tamanhos permitem calçar adultos e crianças, homens e mulheres.
“Na verdade, é uma oportunidade que temos de fazer a diferença. A pessoa que está internada já está preocupada com tanta coisa que às vezes ela ou os familiares não se atentam a trazer tudo que precisam. Além disso, temos muitos pacientes carentes no SUS (Sistema Único de Saúde) que realmente precisam de apoio”, disse Marta.
A produção solidária ganhou força com o envolvimento de Sílvia Ferraz (enfermeira responsável pelo Sesmt) e Rosângela Confolonieri (gerente de enfermagem da câmara hiperbárica), além de vários outros funcionários. É durante as sessões de oxigenoterapia que um grupo de pelo menos cinco acompanhantes de pacientes confecciona o maior número de peças.
Enquanto o marido está em tratamento na câmara, a dona de casa Enilza Salvate Kuzuhara, moradora em Tupã, não larga das agulhas. Em cerca de uma hora, faz peças suficientes para um novo par de sapato, que será arrematado por Marta e outras voluntárias. “Muito melhor fazer tricô e ajudar uma pessoa carente do que ficar esperando sem fazer nada. Sempre tivemos atividades aqui na sala de espera, agora no frio essa novidade. Muito bom participar”, disse.
Para ampliar a adesão, a enfermeira Sílvia fotografou o trabalho e publicou a ação nas redes sociais. O resultado foi o aumento na arrecadação de lã e de estímulo para os voluntários. “Temos recebido doações, mas principalmente incentivo para continuar. Sempre que posso, nos horários de folga, estou fazendo meu tricô lembrando que isso irá ajudar a aquecer alguém”, contou a enfermeira.
A entrega é dia de alegria para muitos pacientes, não apenas pelo objeto em si, mas pelo gesto de carinho. Ao receber a visita de Marta, a aposentada Maria Amélia Reis, de 79 anos, não acreditou que o sapato de lã era de graça. “Muito lindo. Quanto custa filha?”, questionou a idosa, antes de ser informada, novamente, que se tratava de um presente. “A Santa Casa e esses voluntários estão de parabéns. Muito lindo o trabalho”, elogiou a neta, Lilian Ferreira da Silva.
Depois de uma angioplastia, José Luiz Chaves, 60 anos, deverá voltar para casa, em Iepê (região de Tupã), sem frio nos pés. Ele se empolgou tanto com a iniciativa que não aguardou o pedido para a foto: fez questão de registrar o momento com a equipe e agradecer os voluntários, em seu último dia de hospitalização. “Boa demais, esquenta mesmo. Essas meninas são uns anjos”, disse o aposentado.
Para a enfermeira Taise Arantes Moura, responsável pelo plantão na Ala D durante a visita da equipe, o gesto de carinho para com os pacientes é um estímulo importante, com impacto no tratamento. “Procuramos trabalhar sempre com atenção, comunicação e empatia com o paciente. Tem alguns que comentam e relatam que estão se sentindo melhor, pelo bom astral que tentamos manter durante a internação”, afirmou Taise.
Mais informações sobre esta e outras iniciativas do Serviço Social e voluntários da Santa Casa podem ser obtidas pelo telefone 3402-5555 (ramal 5660).
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