Hospital irá realizar 2 mil consultas e 900 cirurgias na especialidade
Com 91 anos de idade, dez na fila à espera de atendimento oftalmológico, o aposentado Odilon Soares Corbes sonha em recuperar a qualidade da visão. Ele conta que gostar muito de ler. Seu livro favorito é a Bíblia Sagrada. “Somos sementes e temos que ser boas sementes, plantando o bem. Mesmo sem conseguir ler, evangelizo com o que eu recordo. A cabeça ainda está boa, quero ler para aprender mais”, afirma. O idoso, morador no bairro Ana Carla (zona oeste), representa bem o perfil da população atendida pelo mutirão de catarata, promovido pelo prefeito Vinícius Camarinha, por meio da secretaria municipal de Saúde.
No dia do lançamento da “força-tarefa”, a Santa Casa de Marília já iniciou os atendimentos. Nesta sexta-feira (05), foram atendidas 88 pessoas. Até o final do mutirão o hospital terá atendido 2 mil, com estimativa de pelo menos 900 cirurgias de catarata. O procedimento restabelece a visão e a qualidade de vida de quem vivia a angústia da doença e o temor da cegueira.
Paraibano que há mais de 50 anos escolheu Marília para viver, Romeu Duarte de Lima, 88 anos, mora na Fazenda do Estado. Há pelo menos três anos ele aguardava atendimento. A limitação da perna direita (amputada devido a problema vascular) e a idade avançada não o fizeram desistir. “Quero enxergar as pessoas. Ver bem o rosto dos meus netos”, diz o produtor rural que teve 21 filhos.
Histórias semelhantes foram contadas durante a manhã, no auditório do gabinete da Prefeitura durante o lançamento do mutirão, com a presença do prefeito Vinícius Camarinha (PSB), do secretário de Saúde Luiz Takano, vereadores, administradores hospitalares, demais secretários municipais, pacientes e lideranças da comunidade.
Vinícius destacou que a ação só foi possível graças à parceria com as instituições de saúde de Marília e lembrou o drama de idosos que não podem pagar pela cirurgia e amargam a espera de até dez anos na fila do SUS (Sistema Único de Saúde). “As pessoas estão ficando praticamente cegas, devido a uma doença que tem tratamento. Antes mesmo de começar o mutirão de ortopedia, já sabíamos da importância desse trabalho na oftalmologia. E depois do mutirão de catarata, vamos repetir esse modelo e atender outras demandas dessa e de outras especialidades”, disse o prefeito.
O provedor da Santa Casa de Marília, empresário Milton Tédde, parabenizou o prefeito pela preocupação com o atendimento especializado e destacou a angústia dos gestores das instituições, que acompanham as dificuldades na saúde pública, mas ficam de mãos atadas devido a ausência de uma política federal de investimentos.
Convênios como o que permitiu o mutirão, segundo Tédde, são fundamentais para acabar com a demanda reprimida. Ele lembrou que a Prefeitura, ente da federação que já aplica além de sua obrigação legal, se vê obrigada a complementar os recursos financeiros para acabar com as filas, enquanto o país continua sem uma regulamentação que obrigue a União a fazer investimento mínimo do orçamento federal.
“Um mutirão como esse é muito importante porque temos a possibilidade de concentrar esforços, junto com o gestor municipal, em uma área que tem alta demanda. Promover a saúde é nossa missão e queremos fazer cada vez mais e melhor. Por isso parabenizo o Vinícius por ter tido essa sensibilidade, nos dando condições para realizar esses atendimentos. Que possamos melhorar a visão das pessoas e que, no futuro, elas vejam um país melhor”, disse Tédde.
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