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Setembro Verde: População se une para 'Abraço à fila de espera' no dia 25

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Erivaldo Chicota, com a mulher, Aurora Pereira, durante acompanhamento pós cirúrgico; desde agosto ele tem um novo rim, graças a generosidade de uma família

A decisão de uma família, que conhecia o desejo de seu ente querido, após a morte, deu nova vida para o pedreiro Erivaldo Chicota, 55 anos, paciente da Santa Casa de Misericórdia de Marília. Ele recebeu um novo rim durante cirurgia realizada no hospital no início de agosto e saiu da fila, porém, mais de 9 mil pessoas ainda aguardam pelo órgão somente no estado de São Paulo.

Para que histórias de sucesso se tornem mais frequentes, o hospital realiza o Setembro Verde, com uma programação especial para marcar o mês e destacar o Dia Nacional do Doador, lembrado em 27 de setembro.

Uma das principais ações da campanha será o “Abraço Simbólico à Fila de Espera pelos Transplantes”, que está marcado para o próximo dia 25 de setembro (sexta-feira), às 09h, com concentração na avenida Vicente Ferreira, em frente à Santa Casa de Marília.

A iniciativa é viabilizada por funcionários que realizam, durante todo o ano, a campanha de educação permanente para sensibilizar a comunidade para o tema. Desde o dia 1º a fachada do hospital foi iluminada na cor verde, a exemplo do que já ocorre com alguns prédios públicos e monumentos no Brasil.

A coordenação do Setembro Verde na Santa Casa de Marília é da fisioterapeuta Izabel Travitzky (Sesmt) e da psicóloga Deborah Milani (hotelaria e ouvidoria). Com apoio da diretoria do hospital e dos demais setores da instituição, elas promovem um trabalho voluntário com o envolvimento de profissionais de saúde, educadores, clubes de serviços e Poder Público.

SUPERAÇÃO - Erivaldo Chicota conta que descobriu a doença renal há cerca de 12 anos. No caso dele, o diagnóstico foi demorado e nos anos seguintes ao surgimento dos primeiros sintomas o problema se agravou. Em 2012, foi encaminhado à Santa Casa, hospital referência em nefrologia para a região. Passou a fazer sessões de diálise peritonial e acompanhamento constante.

“É muito ruim perder a saúde, porque a gente passa a ter limitações que antes não tinha. A alimentação muda, tudo muda. A gente perde até a liberdade de viajar, ficar longe de casa porque depende do tratamento para continuar a viver”, relata Erivaldo Chicota.

Após cerca de três anos e meio à espera de um rim, preocupado com a progressão da doença e o risco da falência total dos rins, o pedreiro foi surpreendido pela convocação da Central de Transplantes. “Foi uma alegria grande, estou na fase de adaptação. A baixa imunidade deixa a gente vulnerável, às vezes preocupa, mas tenho certeza que vai dar tudo certo”, declara.

Se tivesse oportunidade, o que ele diria aos familiares de seu doador? “Eu diria muito obrigado, vocês me deram uma nova chance. Só Deus pode retribuir o que vocês fizeram por mim”, responde emocionado.

Durante o tratamento, nos cuidados pré e pós operatório, Chicota contou com o atendimento multidisciplinar e especializado do hospital, que realizou todos os procedimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A esposa, a servidora aposentada Aurora Pereira Sarmento, destaca o acolhimento e profissionalismo dos funcionários, médicos e equipe de apoio. “Eu não imaginava o que era a Santa Casa. Só passando por isso, tendo esse atendimento, é que a pessoa pode dar valor. Somos muito agradecidos”, declara.

ABRACE – As coordenadoras da campanha lembram que o gesto simbólico demostra respeito e solidariedade a quem está na fila. “Vamos dar as mãos e abraçar o prédio da Santa Casa, simbolizando um grande abraço aos pacientes que aguardam a doação de um órgão”, convida Izabel.

A campanha permanente contará com clubes de serviço, como o Rotary e o Lions, além de estudantes de escolas estaduais e cursos técnicos da área da saúde. “Durante todo o ano, tivemos contato com estes agentes sociais, que receberam a informação e são multiplicadores. Não é um tema para um mês, mas para uma vida”, afirma a fisioterapeuta.

PARA PARTICIPAR - Para fazer parte deste ato simbólico, basta comparecer em frente à Santa Casa de Marília (entrada da avenida Vicente Ferreira), no dia 25 de setembro, às 09h. Não é necessário confirmar presença antecipada.

“Organizem seu grupo, chamem os amigos e prestigiem esse ato público. A doação é um gesto de amor e temos que falar para os nossos familiares o que pensamos sobre isso. Só assim, eles poderão tomar a decisão, se, eventualmente, tivermos partido”, alerta Deborah Milani, co-organizadora da campanha permanente.

Campanha vai às escolas, ao comércio e gera conscientização

O Setembro Verde integra a campanha “Sinal verde para a vida”, que durante este ano já realizou uma série de palestras, envolvendo clubes rotários, estudantes, coordenadores de ensino e diretores de escolas. No último dia 11, com apoio da Diretoria Regional de Ensino, o público-alvo foram os professores da rede estadual.

A ação também envolveu a Acim (Associação Comercial e Industrial de Marília), que remeteu aos lojistas um informativo sobre o Setembro Verde e sugeriu a decoração das vitrines, nos dias 25 e 26 com motivos que lembram a campanha. “Para complementar, visitamos parte dos comerciantes do centro, explicando sobre a campanha e solicitando a colaboração”, disse Izabel Travitzky.

“O objetivo é estimular o diálogo. É fundamental que as famílias conversem sobre a doação de órgãos e as pessoas compreendam a importância deste gesto. Temos que deixar nossos entes queridos conscientes do nosso desejo, para que, em uma circunstância , alguém seja salvo por nossa atitude de humanidade”, alerta a fisioterapeuta.

Entenda a captação

No Estado de São Paulo, a captação é coordenada pela OPOs (Organização de Procura de Órgãos). São dez unidades em todo o estado, sendo quatro na Capital e seis no interior. Marília conta com uma destas unidades, com área de abrangência em 131 municípios e sede no HC (Hospital das Clínicas) da Famema (Faculdade de Medicina de Marília).

A coordenadora do serviço, Debora Gutierrez, relata que as ações de conscientização são fundamentais para a captação. Em 2015, a unidade já registrou 34 doadores de múltiplos órgãos. No ano passado, até o mesmo período do ano, foram apenas sete.

Segundo dados consolidados da ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos) o Estado de São Paulo tinha, em março deste ano, 9.178 pessoas na fila do rim, 690 à espera de fígado, 107 precisando de um coração, 108 de pulmão, 12 à espera de pâncreas e 2.415 pacientes necessitando de córneas.
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