Iniciativa reunião mais de 200 pessoas; corrente pede informação e diálogo entre doadores e seus familiares
Superar o tabu e dialogar com a família é a única forma de acabar com a angústia dos pacientes que aguardam na fila de transplantes de órgãos. São os familiares, em caso de morte encefálica, que irão se manifestar pela doação ou não. Por isso, quem é doador, deve tratar do assunto com naturalidade. Essa foi a principal mensagem da campanha Setembro Verde, desenvolvida pela Santa Casa de Misericórdia de Marília. Um abraço simbólico à fila de espera e uma caminhada em torno do hospital, na última sexta-feira, 25, marcaram o encerramento da programação.
Funcionários, pacientes, estudantes do ensino fundamental e médio, alunos de cursos de saúde, jovens do Tiro de Guerra, membros de entidades e integrantes de clubes de serviço, incluindo o Sest/Senat, participaram da ação. Segundo os organizadores, 230 responderam à convocação da celebração da vida.
Com fitas verdes, de mãos dadas e organizados numa espécie de corrente, os participantes chamaram a atenção de pedestres e motoristas e receberam apoio ao movimento. Para Izabel Travitzky, integrante da organização e fisioterapeuta da Santa Casa de Marília, a mensagem foi transmitida e a meta cumprida.
Ela lembra que um doador múltiplo pode ter seus órgãos transplantados em até oito pessoas diferentes: podem ser doados coração, rins (dois), córneas (duas), pulmão, fígado e pâncreas, além de ossos e outros tecidos.
Em 2015, a unidade regional de captação que atua em Marília já registrou 34 doadores de múltiplos órgãos. No ano passado, até o mesmo período do ano, foram apenas sete.
VIDA NOVA
Foi um transplante que mudou a vida de Valter Kikio Kimoto, 34, que durante 18 anos precisou fazer hemodiálise, até conseguir um rim. “A doação é uma atitude de amor. Muda completamente a vida de quem está na fila. Quem é doador tem que falar com sua família, deixar isso bem claro, para que outras vidas possam ser salvas”, afirma.
Deborah Milani, encarregada de hotelaria da Santa Casa e integrante da organização, lembra que o mês de setembro é um marco para as ações em todo o Brasil, já que no dia 27 deste mês é lembrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos. Ela destaca, porém, que a campanha é permanente.
“Durante o ano todo promovemos atividades nos clubes de serviços, escolas e empresas para lembrar a comunidade da importância da doação e do diálogo nas famílias. Hoje, pela nossa legislação, não há declaração prévia, documento assinado, enfim, não há nada que possa substituir o 'sim' da família, numa eventual situação de morte encefálica”, explica Deborah.
A Santa Casa de Marília é referência em nefrologia e conta com terapia renal substitutiva (diálise e hemodiálise). Atualmente, cerca de 280 pessoas estão em atendimento, nas duas unidades e a grande maioria está na fila à espera de um rim. Em 2014, o hospital realizou 14 transplantes. Já este ano, foram 11 até agosto.
Mais informações sobre o tema podem ser obtidas no site da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, por meio do link
http://migre.me/rEf7L
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