Os inúmeros compromissos, incluindo visitas nos leitos, atendimento em consultório e horas de trabalho em centro cirúrgico, além da dedicação à pesquisa e aprimoramento profissional, podem limitar a participação do médico na construção das soluções nas unidades onde eles atuam. Mas com diálogo e comprometimento, esse desafio tem sido superado na Santa Casa de Marília, instituição onde o Corpo Clínico está integrado ao processo da Gestão da Qualidade.
Cerca de 350 médicos compõem seu corpo clínico. O hospital tem destacado o papel deste profissional nesta nova fase. Muito além da certificação, a proposta é incorporar uma nova cultura na qual diretores, funcionários, médicos e parceiros cooperem visando a qualidade.
QUALIDADE
A oncologista Lia Rachel de Souza Gáspari é médica da Qualidade Hospitalar e responsável técnica pelo Centro de Oncologia da Santa Casa de Marília. Há cerca de um ano ela aceitou o desafio de ser uma facilitadora para a revisão dos processos junto ao corpo clínico. “Acredito que, em geral, a qualidade é uma preocupação constante do médico. Mas o foco está mais voltado para a qualidade do nosso trabalho. Quando o hospital implanta um programa, está gerando uma oportunidade. Podemos e devemos contribuir para a qualidade institucional, do processo como um todo, e não apenas em nosso elo”, defende Lia. Ela destaca a interdependência profissional.
“Se os processos não estiverem bem definidos, se algum elo dessa corrente tiver fragilidades, não conseguiremos o resultado desejado. Então é importante conhecer o todo, não apenas a nossa parte. Com a gestão da qualidade, a instituição oferece melhores condições aos médicos, que são os clientes internos. Juntos, oferecemos mais eficiência e segurança aos pacientes, preservando a missão de promover a saúde”.
MELHORES PRÁTICAS
Como resultado dessa política de envolvimento, Lia já constata maior adesão às reuniões do Colegiado Médico. Ela ressalta ainda a realização de uma pesquisa de clima organizacional junto aos médicos, a exemplo do levantamento aplicado aos funcionários. É uma oportunidade para o corpo clínico avaliar os diversos aspectos da instituição. “Na prática, o médico usa toda sua capacidade e se empenha pelo paciente. Mas, juntos, temos muito a avançar na gestão da qualidade. O objetivo é padronizar protocolos clínicos que contemplem as melhores práticas na literatura atual para cada patologia, a fim de ter maior uniformidade, um corpo clínico coeso, com condutas atualizadas para o melhor tratamento ao paciente”, disse a médica da qualidade.
COOPERAÇÃO
O médico e consultor da Santa Casa de Marília no Programa Compromisso com a Qualidade Hospitalar (CQH), Jackson Vilela, acredita que o processo é progressivo e revelador. “A participação é a grande chave. Com o tempo, todos se descobrem co-autores de uma nova realidade, que gera benefícios à instituição, aos seus colaboradores, parceiros e, principalmente, ao paciente”, disse.
O processo de certificação da Santa Casa de Marília no Programa CQH teve início em 2014. Desde 2012 a instituição conta com o Escritório da Qualidade que assessora a diretoria para implantação, revisão e melhoria dos processos.
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