
A Santa Casa de Misericórdia de Marília aderiu ao manifesto das Santas Casas e hospitais filantrópicos, para alertar sobre a crise do setor. O “pedido de socorro” aos governos Estadual e Federal foi definido durante reunião que contou com a participação da Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo) e aconteceu na cidade de Votuporanga, em setembro. Foram elaboradas cartas abertas ao governador Geraldo Alckmin e à presidenta Dilma Rousseff.
Reunidos em plenário, provedores, administradores e representantes de mais de 50 instituições discutiram formas de unir forças e buscar soluções, junto aos governantes, para a situação enfrentada pelo setor filantrópico no Brasil.
Para aumentar a abrangência do manifesto, um ato simbólico será realizado neste dia 10 de outubro. As instituições representadas na reunião utilizarão camisetas, ou faixas pretas na fachada, para lembrar a necessidade de reajuste imediato na tabela do SUS.
O provedor da Santa Casa de Marília e atual diretor financeiro da federação, Milton Tédde, destacou a necessidade de medidas urgentes. “Depois de 33 anos como diretor voluntário e há mais de cinco, como provedor, acompanho as dificuldades que os hospitais beneficentes enfrentam e acredito que só este movimento de união será capaz de reverter o estado financeiro crítico”, destacou.
As entidades, juntas, representam quase 7 mil leitos hospitalares do Estado de São Paulo e atendem a uma população estimada, de acordo com o censo 2010 do IBGE, em mais de 5 milhões de habitantes.
Os participantes tiveram oportunidade de se manifestar e expor suas principais necessidades. Foram discutidas formas de sensibilizar os governos, para os problemas eminentes, como a defasagem da Tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) e o déficit acumulado pela baixa remuneração.
A iniciativa tomada, ao final da reunião, foi a elaboração da “Carta do Interior”, que será enviada aos Governos Federal e Estadual. Os Deputados Estaduais Ulysses Tassinari e Carlão Pignatari participaram do encontro, e se comprometeram a colaborar com a causa. “Independente de bandeira partidária, esse movimento dos hospitais merece ser levado adiante por nós, junto aos nossos colegas na Assembleia Legislativa, e também na Câmara Federal, nos articulando para que a ‘Carta do Interior’ seja entregue ao Governador e à Presidente da República”, afirmou Carlão.
As principais solicitações, no documento endereçado a presidente Dilma, são o reajuste em, no mínimo, 100% da Tabela SUS para os procedimentos ambulatoriais e hospitalares e a resolução, por parte do Governo Federal, das dívidas já constituídas pelos hospitais em decorrência da defasagem da Tabela SUS.
Já na carta que será entregue ao Governador de São Paulo, constarão pedidos como o pagamento das Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) autorizadas e auditadas, porém, não pagas pelo gestor (extra-teto); repactuação das contratualizações (estaduais e municipais), considerando as características das entidades; e a revisão do programa Pró-Santas Casas, incluindo as instituições que ainda não participam e ampliando o orçamento do programa ou mesmo definindo programas específicos para hospitais universitários e hospitais de pequeno porte.
Edson Rogatti, Presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), ressaltou que “o encontro reuniu 25% dos leitos SUS do Estado de São Paulo e a Fehosp está fazendo o seu trabalho, discutindo o Pró-Santas Casas com o Governo do Estado, desenvolvendo um trabalho de custos em 10 hospitais do Estado que vai comprovar o déficit dessas instituições”.
O presidente da federação destacou ainda que os hospitais públicos do estado recebem seis vezes mais pelos trabalhos que as Santas Casas prestam. “O que falta para as Santas Casas é financiamento. O momento é de União”, finalizou Rogatti.
Além da elaboração da “Carta do Interior”, que será anexada a uma carta de anuência de todas as Instituições que firmaram o acordo, foi definido um cronograma de ações a serem desenvolvidas ao longo dos próximos meses. Uma nova assembleia será realizada em Votuporanga, no dia 7 de novembro, para que os representantes discutam os resultados da primeira série de ações.
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