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Atendimento no ambulatório de tabagismo da Santa Casa aumenta 50% em um ano

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Média de pacientes por grupo saltou de 35 para 55. Somente em 2013, programa já atendeu 870 fumantes que desejam abandonar a dependência.

O ambulatório de tabagismo da Santa Casa de Marília, referência regional na luta contra a dependência do tabaco, ampliou em mais de 50% o número de atendimentos em 2013, na comparação com o mesmo período ano passado. Os grupos de apoio, que atendiam entre 35 e 40 pessoas, contam agora com mais de 50 pacientes. 

O programa oferece consulta médica, medicação e terapia em grupo. É desenvolvido pelo Ministério da Saúde, por meio do SUS (Sistema Único da Saúde), em parceria com instituições que possuem profissionais habilitados para tratar os diversos aspectos da dependência. Em Marília, a Santa Casa é a única instituição credenciada, o que tem levado a uma fila crescente.

Somente este ano, 870 pessoas já passaram por atendimento. Desse total, 329 participam dos grupos de apoio. É uma das principais etapas na luta contra o cigarro, que começa após a triagem social e a consulta médica.

De acordo com a assistente social Clotilde Carvalho de Souza Moreira, os pacientes chegam encaminhados pelas unidades básicas de saúde do município, ambulatórios de especialidades da rede estadual (normalmente por doenças relacionadas ao fumo) e consultórios particulares.

O atendimento começa com a triagem social. Por semana, o ambulatório abre 20 vagas para entrevista, mas a maioria ainda permanece na fila à espera da consulta e inserção nos grupos. “Pode levar meses, mas quem passou pela primeira etapa está com vaga assegurada. É questão de tempo, para que os pacientes em terapia tenham alta”, explica Clotilde.

Na segunda etapa do programa, a médica Edilaine de Oliveira Miguel analisa o caso, faz a prescrição de medicamentos (em geral à base de nicotina) e encaminha o paciente aos grupos, que inicialmente se encontram uma vez por semana. À medida que o tratamento avança, as reuniões se tornam quinzenais e mensais (grupos de manutenção) e quem parou de fumar ajuda os colegas com maior dificuldade.

“Temos a oportunidade de trabalhar o dependente de forma integral, mostrando que somente medicação não vai resolver. É a hora de determinar o fim do mal do cigarro. Para isso, ele (paciente) conta com o nosso apoio e dos demais membros de grupo”, afirma Clotilde.

TERAPIA DE GRUPO – Usar a medicação e fumar é completamente contra-indicado, podendo levar à overdose. Quem inicia o tratamento e abandona impede que outras pessoas tenham uma chance de se tratar. As recaídas são previsíveis, e os pacientes são desligados do grupo, e orientados a reiniciar todo o processo.

Estas são algumas das mensagens transmitidas durante as reuniões. O terapeuta ocupacional Kléber Renato Pelarigo, membro da equipe, afirma que o diálogo é franco. “Nós, mediadores, damos suporte e orientações para superar a síndrome da abstinência, que provoca grande sofrimento, e torna-se um dos motivos para a pessoa abandonar o tratamento”, disse Kléber.

Com orientação médica, medicação, diálogo e comprometimento o programa da Santa Casa de Marília é considerado, um dos mais eficientes do Estado de São Paulo, com taxa de êxito em 64% dos casos. Segundo Kléber, o índice estadual de cura varia entre 20% e 30%.

Além de do terapeuta ocupacional Kléber, da assistente social Clotilde e da médica Edilaine, a equipe multidisciplinar conta ainda com a enfermeira Sílvia Mara Ferraz Assis Pinto, como coordenadora, mediadora e especialista. É ela quem reforça as instruções sobre a medicação, explica aos pacientes os efeitos da nicotina no organismo, contribuindo assim para o comprometimento na terapia.

SERVIÇO – O acesso ao ambulatório de tabagismo da Santa Casa ocorre por meio das redes municipal e estadual de Saúde, e dos serviços de oncologia, cardiologia e renais crônicos da Santa Casa. É preciso procurar uma unidade básica de saúde e pedir encaminhamento a própria enfermeira responsável ou ao médico. Empresas e entidades interessadas em formar grupos de apoio interno podem buscar informações junto à equipe, por meio do telefone 3402-5555 (serviço social ou Sesmt).

Eu acordava à noite para fumar

Fumante por 50 anos, a dona de casa Maria Lúcia Protasio, 65, demorou a entender a necessidade de parar de fumar. Ela chegou a consumir três maços de cigarros por dia, mas não via o tabaco como um problema na sua vida, pelo contrário. Até que o corpo começou a sentir as consequências.

“Eu tinha uma tosse crônica e fazia tratamento com um otorrino, por causa de uma inflamação na laringe. O médico me encaminhou para o ambulatório da Santa Casa. Fui sem vontade nenhuma. Cheguei arrogante, achando que não precisava daquilo. No fundo eu não queria aceitar que o problema estava comigo, que o cigarro era o problema”, afirma a dona de casa.

Após aderir ao programa, Maria Lúcia se surpreendeu com o acolhimento. Ela conta que a equipe de mediadores estabeleceu um compromisso moral com os participantes do grupo. Em pouco tempo, ela estava engajada na luta contra o vício. “No começo foi difícil. A abstinência me fazia ter pesadelos. Foi terrível, mas nesse ponto eu já estava determinada a parar”, conta.

Foram quatro meses de tratamento intenso, até a alta médica. “Passei a frequentar o programa apenas para ajudar os colegas, e isso me deu ainda mais força. Nunca tive uma recaída. Com o tempo minha voz, minha saúde e minha pele melhoraram”, disse.

Um dos momentos de mais emoção, segundo Maria Lúcia, foi quando uma de suas netas (à época com 15 anos) mandou uma carta pelo correio, embora more na mesma casa. Ela queria surpreender a avó e dizer o quanto estava feliz por ela ter parado de fumar.

“Ela sempre foi muito afetuosa, desde criança tinha o hábito de me abraçar. Com o tempo, ela não fazia isso mais com frequência. Na carta ela dizia que estava feliz e voltaria a me abraçar, porque ‘a vovó não cheirava mais cigarro’. Fiquei muito emocionada”.
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