A Santa Casa de Misericórdia de Marília promoveu, na manhã desta quinta-feira (06), mais uma mobilização para marcar o Dia de Luta Contra Queimaduras, lembrado nacionalmente nesta data. Das 09h às 11h, membros da UTQ (Unidade de Terapia de Queimados), profissionais das equipes multidisciplinares e diretores do hospital estiveram na popular “Ilha da Galeria Atenas”, na esquina da Nove de Julho com a avenida Tancredo Neves, para entregar os gibis didáticos da Turma da Mônica, esclarecer dúvidas e orientar a população para a importância do tema.
A iniciativa do hospital mariliense conta com apoio da SBQ (Sociedade Brasileira de Queimaduras). Uma das propostas é a distribuição do material criado pelo desenhista Maurício de Souza, com edição especial voltada especialmente à prevenção. Serão distribuídos cerca de 1.200 exemplares, além de um folder educativo sobre os principais cuidados.
O médico cirurgião plástico e responsável pela UTQ, João Evaristo Puzzi Neto, explica que a Santa Casa de Marília é uma unidade para atendimento de alta complexidade, ou seja, somente casos graves, as chamadas “grandes queimaduras”.
São oito leitos regulados por uma central estadual, por isso pode atender pacientes tanto de Marília quanto de municípios distantes, em todo Estado de São Paulo. Vítimas de queimaduras em outros Estados também podem ser transferidas para a Santa Casa, devido a baixa oferta de leitos na especialidade no país.
PREVENÇÃO – O médico destaca a importância da data, mas lembra da necessidade de uma campanha permanente. O hospital tem feito a sua parte. Por meio da iniciativa de especialistas e voluntários, o material da SBQ chega às mãos de milhares de crianças das redes municipal e estadual de ensino.
No mês passado, um encontro reuniu educadoras de Marília, Pompéia, Vera Cruz, Oriente, Fernão, Júlio Mesquita, Álvaro de Carvalho e Oscar Bressane. O médico cirurgião plástico falou sobre as principais causas de queimaduras em crianças, deu dicas de prevenção e de primeiros socorros. Segundo João Evaristo os pequenos são as principais vítimas desse tipo de acidente e respondem por pelo menos 1/3 dos casos.
“Como todo acidente, as queimaduras podem ser evitadas. A prevenção é o melhor tratamento, por isso a importância desse trabalho com as professoras, que vão multiplicar informação nas escolas”, destacou o cirurgião. A estimativa é que pelo menos 5 mil estudantes de seis a dez anos recebam as instruções, por meio dos educadores.
Na unidade, os pacientes ficam internados (às vezes por meses), passam por cirurgias e dolorosos tratamentos. O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar, que inclui cirurgião plástico, enfermeiros e auxiliares especializados, psicólogos e assistentes sociais.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, em média, dez paulistas morrem por exposição ao fogo a cada mês. São cerca de 3 mil internações por ano. O médico afirma que Na Santa Casa de Marília, pelo menos 30% dos pacientes são crianças. A taxa de ocupação média é de seis leitos.
O objetivo da campanha é justamente evitar a hospitalização, por isso a UTQ, por meio da iniciativa de João Evaristo, participa anualmente das ações da SBQ.
RISCOS - O cirurgião plástico explica que a cozinha concentra os principais focos de risco em uma residência. Ele lembra que é preciso ficar atento aos líquidos aquecidos, maior causa de acidentes em crianças. O médico destaca ainda que, em caso de queimaduras, a orientação é proteger o local com um tecido e buscar uma unidade de saúde. A água fria para reduzir o calor é recomendada, mas apenas quando a lesão não tiver sido causada por agentes químicos.
Aumenta tempo médio de permanência na UTQ
De acordo com dados divulgados pela Santa Casa de Marília, desde a reativação, em fevereiro de 2011, 235 pessoas já passaram por internação. No primeiro ano, 115 foram atendidos. Já no ano passado, o número oscilou para 96. Já o tempo médio de internação aumentou de 13,9 dias no primeiro ano da reabertura para 18,6 em 2012.
O tempo médio de hospitalização pode ser um indicador da gravidade das lesões. No primeiro quadrimestre deste ano, por exemplo, 24 pessoas foram internadas e ficaram, em média, 28,2 dias na Unidade de Terapia Intensiva.
Comentários Facebook: