Santa Casa de Misericórdia de Marília e Famema (Faculdade de Medicina de Marília), por meio do Spot (Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos), se uniram para promover uma extensa programação, até a Semana Nacional de Doação de Órgãos, lembrada em setembro.
As atividades incluem uma pesquisa para verificar o grau de com conhecimento dos trabalhadores da saúde sobre o tema, visitas a instituições, concurso cultural com os filhos de trabalhadores dos hospitais, palestras e a passeata que marca o dia de luta.
No último dia 23 (terça-feira), o grupo fez um “pedágio educativo” com os trabalhadores da Santa Casa. O objetivo foi discutir o tema e apresentar o formulário, que visa traçar um mapa e definir quais informações ainda precisam ser reforçadas no ambiente hospitalar, para preparar as próximas ações educativas.
Já no dia 24 (quarta-feira), trabalho similar foi feito no Hospital das Clínicas, principal unidade da Famema, onde está concentrada a maioria dos servidores do complexo.
A fisioterapeuta Izabel Travitzki, integrante do Sesmt (Serviço Especializado em Saúde e Medicina do Trabalho) da Santa Casa e membro da coordenação do projeto, afirma que é preciso estimular o diálogo. “Legalmente, não importa se o cidadão declarou em documento que é doador, não importa se deixou uma declaração reconhecida em cartório, ou outro tipo de tentativa de registrar sua vontade: se a família não consentir no ato da abordagem, não pode ser feita a doação”, explica Izabel.
Por isso a importância do diálogo, principalmente em casa. “As pessoas infelizmente não faltam sobre doação de órgãos. Algumas, com certeza, seriam doadoras, mas não deixam isso claro com seus familiares. É preciso vencer esse tabu, falar do tema sem medo”, acredita.
As ações do Spot, em parceria com o grupo de voluntários da Santa Casa, esperam mobilizar milhares de pessoas, por meio de dezenas de instituições. O objetivo é que, até o dia da passeata (segunda edição este ano), o assunto esteja em evidência na cidade, para marcar a data e influenciar nos resultados dos centros de captação.
Algumas empresas já têm apoiado a campanha. É o caso do Marília Shopping, Esmeralda Shopping, Cinemais e Fazenda Floresta Agro Tur (Lupércio). As empresas vão doar os prêmios para os ganhadores do concurso cultural de ilustrações, para os filhos dos trabalhadores da Santa Casa e Famema.
URGÊNCIA - Campanhas como esta podem reverter essa triste realidade. A fila de transplante renal, por exemplo (a mais extensas entre os órgãos), contava com cerca de 32 mil pessoas até o final 2012. No mesmo ano, foram feitos 5.300 transplantes. Os dados são da Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante, que estima ainda 15 milhões de brasileiros com algum tipo de doença renal e 106 mil em tratamento de diálise ou hemodiálise.
A Santa Casa de Marília faz, em média, 30 procedimentos por ano. Além disso, mantém um amplo centro de hemodiálise, para pacientes que aguardam na fila do transplante. De janeiro a abril, por exemplo, foram 2.316 sessões de hemodiálise, uma média de quase 580 por mês.
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