
A equipe de Neurocirurgia da Santa Casa de Misericórdia de Marília realizou, neste mês de setembro, uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral em um paciente de 51 anos. O procedimento teve como objetivo proporcionar melhores condições de saúde e qualidade de vida ao paciente, que apresentava um tumor de comportamento agressivo.
Funcionário de uma empresa da região de Marília, o paciente tem na música um dos seus principais momentos de descontração ao lado de familiares e amigos. Violão e canto fazem parte de sua rotina e, justamente por isso, a história ganhou um significado especial antes e depois da cirurgia.
Momentos antes do procedimento, ainda na cama cirúrgica, o paciente fez uma homenagem aos profissionais que participariam da cirurgia. Com o violão em mãos, ele cantou e tocou a música “Tempo Perdido”, da banda Legião Urbana, emocionando médicos, enfermeiros e demais integrantes da equipe presentes no Centro Cirúrgico.

Para o neurocirurgião da Santa Casa de Marília, Ruy Okaji, além do desafio técnico, procedimentos dessa natureza exigem atenção especial à preservação das funções neurológicas do paciente. “Em uma cirurgia para retirada de um tumor intracraniano, nosso objetivo não é apenas retirar a lesão, mas também preservar ao máximo as funções neurológicas do paciente. É um trabalho que exige planejamento, precisão e uma atuação integrada de toda a equipe. Neste caso, tivemos ainda a oportunidade de acompanhar um momento muito especial antes da cirurgia, quando o paciente cantou e tocou violão para os profissionais. Foi emocionante e, ao mesmo tempo, mostrou o quanto a preservação de suas funções, especialmente a fala, é importante para a qualidade de vida dele”.

Durante o procedimento de retirada do tumor, a equipe de anestesia despertou o paciente, e a equipe de Fonoaudiologia acompanhou o paciente, contribuindo para a avaliação das funções relacionadas à fala. Além disso, ele cantou novamente durante a cirurgia, ajudando a mapear as áreas do próprio cérebro durante a retirada do tumor. Ao final do procedimento, os profissionais constataram que ele estava consciente e apresentava as funções motoras e de fala preservadas.
Após a cirurgia, o paciente demonstrou lembrar do momento vivido durante o procedimento e chegou a entoar novamente a canção que havia cantado para a equipe.
“Foi muito gratificante perceber, logo no despertar, que ele estava consciente, comunicativo e com a fala e os movimentos preservados. O fato de ele próprio se lembrar da música e voltar a cantá-la naquele momento foi muito significativo para toda a equipe. É um resultado que nos deixa felizes porque representa a possibilidade de ele continuar fazendo aquilo que gosta e que faz parte da sua vida”, acrescentou o neurocirurgião.
Com as funções cerebrais preservadas, o paciente segue em recuperação. A expectativa é de que, com a evolução do quadro, possa retomar gradualmente suas atividades e, em breve, voltar a cantar e tocar violão ao lado de familiares e amigos.
O procedimento foi considerado um sucesso pela equipe e representa mais um exemplo da importância da atuação multidisciplinar em cirurgias neurológicas de alta complexidade, com foco não apenas no tratamento da doença, mas também na preservação da qualidade de vida e da autonomia do paciente.
Antes da cirurgia, ele ofereceu música aos profissionais que cuidariam dele. No despertar, recebeu uma resposta ainda mais significativa: a possibilidade de continuar utilizando a voz e a música como parte de sua história.
Comentários Facebook: