Equipe do SCIH percorre o hospital e instrui funcionários sobre o procedimento correto; objetivo é reduzir as complicações, tempo de hospitalização, uso de antibióticos e risco de óbitos
Alas de internação, UTIs (Unidade de Terapia Intensiva), centro cirúrgico, Pronto Saúde, ambulatórios e demais setores ligados diretamente à assistência receberam, nesta segunda-feira, dia 05, a visita da equipe do SCIH (Serviço de Controle de Infecções Hospitalares) da Santa Casa de Misericórdia de Marília. Os profissionais foram orientados sobre a higienização adequada das mãos. Embora simples, o gesto é a principal arma para acabar com o maior temor dos especialistas: as bactérias.
No Brasil, segundo dados da CNB (Comissão Nacional de Biossegurança), pelo menos 100 mil pessoas morrem ao ano devido às infecções. O problema é tão sério que levou o Ministério da Saúde a estabelecer uma data para destacar a lavagem das mãos, no mesmo mês em que é lembrado o Dia Nacional de Controle de Infecções Hospitalares (15 de maio).
A enfermeira Silvana Martins Dias Toni, gerente do SCIH da Santa Casa, explica que existe método para cobrir todas as áreas e minimizar os riscos. Não bastam água e sabão, tampouco espalhar álcool gel aleatoriamente. Os profissionais de saúde aprendem nos cursos técnicos e nas faculdades, mas muitos ignoram, seja por pressa durante procedimentos, por acreditar que as luvas são suficientes ou por desatenção.
Inúmeras bactérias e microrganismos nocivos podem colonizar um paciente. Há ainda o risco da chamada infecção cruzada, quando é transmitida de uma pessoa hospitalizada para outra. As consequências são aumento do tempo de internação, resistência à medicação e uso de antibióticos cada vez mais agressivos, sofrimento para o paciente e, em casos mais graves, a morte.
O início desse ciclo, segundo a enfermeira, pode ser desencadeado pela falta de higiene do ambiente ou das pessoas que mantém contato com o paciente. No primeiro caso, basta um protocolo de limpeza rigoroso e empenho da instituição. Já em relação aos trabalhadores, é preciso educação e consciência.
“Mesmo com a cautela extrema na limpeza dos espaços físicos, se o profissional não se conscientizar de sua importância individual, o controle das infecções não será eficiente”, alerta Silvana. O grupo liderado por ela montou uma verdadeira “patrulha” que nesta segunda-feira abordou médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares e profissionais de apoio.
Além de álcool gel, a equipe também utiliza chocolates durante a abordagem e entrega um bombom para cada profissional que passa pelo treinamento. “Foi uma forma que encontramos de mostrar que nosso trabalho não é repressivo, punitivo, não estamos ensinando as pessoas a higienizar as mãos, ou repassando esse conhecimento, por acaso. Todos devem fazer da forma correta”, explica.
Para uma higienização adequada, é preciso extrair álcool gel em quantidade suficiente, colocar na palma de uma das mãos, friccionar as palmas das mãos entre si, friccionar a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda e vice versa, entrelaçar os dedos e friccionar os espaços interdigitais, friccionar o dorso dos dedos de uma mão com a palma da oposta segurando os dedos e vice versa, friccionar o polegar esquerdo e direito, friccionar as polpas digitais e unhas da mão direita contra a palma da mão esquerda com movimentos circulares e vice versa e friccionar os punhos com movimentos circulares. No final do processo, todo o álcool já evaporou e as mãos estão efetivamente limpas.
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