Saúde, gestão, filantropia e remuneração compatível com os custos hospitalares estiveram em pauta durante o 21º Congresso da Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo), promovido de 24 a 27 de abril, em Campinas. O evento atraiu mais de 400 pessoas, incluindo provedores e profissionais de outros estados.
A Santa Casa de Marília participou com destaque. O provedor, Milton Tédde, é o atual diretor administrativo financeiro da federação. Já a superintendente do hospital, Kátia Ferraz Santana, assinou a direção científica do congresso. A copa Fehosp, uma programação esportiva que integra o evento, foi coordenada por Sérgio Stopato Arruda, diretor administrativo da instituição mariliense.
Com o tema "Ouvindo as Vozes da Saúde Hospitalar do País", a edição de 2012 foi um grito de alerta para o fortalecimento urgente da rede filantrópica do estado de São Paulo. De acordo com dados apresentados pela Fehosp, instituições sem fins lucrativos são responsáveis por 50,78% das internações pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em São Paulo. As entidades estão presentes em 268 dos 645 municípios paulistas. Nos
centros urbanos e cidades médias, são referência regional; nos pequenos municípios, são a única alternativa de internação.
Por ano, cerca de 1,2 milhão de pacientes são hospitalizados em estabelecimentos filantrópicos. Mais de 109 mil trabalhadores são empregados pela rede de saúde mantida pelo chamado terceiro setor.
Apesar da ampla fatia de participação no atendimento público, as Santas Casas e demais filantrópicos tem enfrentado dificuldades. Por meio do diretor presidente da federação, Edson Rogatti (provedor da Santa Casa de Palmital), a Fehosp reivindica mudanças na política pública, a fim de avançar na qualidade. "Baseados em metas realistas, precisamos reafirmar o compromisso de prestar assistência de qualidade, humanizada e digna à população", destacou Rogatti, durante a abertura.
No documento aprovado pelo congresso e entregue ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha (presente no último dia do evento), a federação reivindicou um programa de investimentos nas instituições sem fins lucrativos, reabertura do programa de contratualização com o SUS para novos hospitais, revisão dos repasses aos hospitais contratualizados e um programa de adequação e inserção de hospitais filantrópicos de
pequeno porte na rede de atendimento.
Para a superintendente da Santa Casa de Marília, Kátia Santana, eventos como este são fundamentais não apenas para organizar e unificar as reivindicações, mas para fortalecer uma rede de cooperação entre instituições. "É uma oportunidade para troca de experiências entre profissionais que trabalham com a assistência ou a gestão em
saúde. No nosso cotidiano, podemos ter problemas e situações semelhantes, mas cada um tem um método de trabalho. É uma oportunidade de aprendizado e colaboração", avalia Kátia.
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