
O cuidado com crianças hospitalizadas vai além dos medicamentos e dos procedimentos médicos. O acolhimento, a segurança emocional e a possibilidade de compreender o que acontece durante o tratamento também fazem parte da assistência. Com essa proposta, o Instituto Benfazer, de Londrina (PR), amplia sua corrente de solidariedade e encaminha bonecos terapêuticos para a Santa Casa de Misericórdia de Marília.
Confeccionados artesanalmente por voluntárias, os bonecos são utilizados como recursos lúdicos para aproximar as crianças do ambiente hospitalar, facilitar a compreensão de procedimentos e ajudar a reduzir o medo e a ansiedade durante a internação.
O trabalho do Instituto Benfazer tem entre suas referências o Hospital Universitário (HU) de Londrina e chega também ao interior paulista, contribuindo para as ações de humanização desenvolvidas na Pediatria e na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Pediátrica da Santa Casa de Marília.
Acolhimento e representatividade
Os bonecos são confeccionados em diferentes versões, buscando representar as características e as experiências vividas pelas crianças atendidas. Há modelos com roupas hospitalares, gessos, capacetes e outros acessórios que reproduzem situações relacionadas ao tratamento de saúde. Também são produzidos bonecos com características afro e versões com faixas de cabelo destinadas a pacientes em tratamento oncológico.
A representatividade é um dos aspectos importantes do projeto. Ao encontrar um boneco com características semelhantes às suas ou que reproduz uma situação pela qual está passando, a criança pode se identificar com o personagem e encontrar uma maneira mais acessível de expressar sentimentos e compreender a própria experiência.
Preparação para procedimentos médicos
Os bonecos terapêuticos também funcionam como instrumentos de apoio às equipes de saúde na preparação dos pacientes para exames, procedimentos e internações.

Por meio de brincadeiras e demonstrações, os profissionais podem explicar situações que seriam difíceis de compreender apenas com palavras. A criança pode, por exemplo, colocar um curativo no boneco, conhecer os materiais utilizados no atendimento e entender melhor procedimentos como o eletroencefalograma.
Essa abordagem lúdica ajuda a tornar o ambiente hospitalar menos intimidador, favorecendo a comunicação entre a equipe assistencial, os pacientes e seus familiares. O recurso também pode contribuir para diminuir a ansiedade e facilitar a participação da criança nos cuidados, respeitando sua idade e suas necessidades individuais.
Acolhimento em momentos delicados
O trabalho do Instituto Benfazer também contempla situações de luto perinatal e neonatal, além de perdas de crianças internadas em unidades de terapia intensiva. Nesses momentos, são confeccionados bonecos e lembranças especiais destinados às famílias, em uma iniciativa de acolhimento diante de experiências profundamente dolorosas.
A proposta evidencia que a humanização hospitalar envolve não apenas o tratamento da doença, mas também a atenção às necessidades emocionais das crianças e de seus familiares, inclusive nas circunstâncias mais delicadas.
Na Santa Casa de Marília, o recebimento dos bonecos terapêuticos amplia as possibilidades de acolhimento na Pediatria e na UTI Pediátrica, oferecendo às equipes mais um recurso para tornar a assistência próxima, sensível e adequada às necessidades dos pacientes.
Solidariedade que ultrapassa fronteiras
Realizado com o trabalho voluntário, o projeto demonstra como a mobilização da sociedade pode contribuir para transformar a experiência de crianças e famílias durante a hospitalização.
Ao conectar voluntárias de Londrina a instituições de saúde de outras cidades, a iniciativa leva para além de sua região de origem uma proposta de cuidado que valoriza o brincar, a identificação e o acolhimento.
Os bonecos terapêuticos representam, assim, mais do que objetos confeccionados à mão: são recursos que ajudam a aproximar o universo infantil da rotina hospitalar e reforçam a importância de olhar para cada criança de forma integral, considerando não apenas sua condição clínica, mas também seus sentimentos, seus vínculos e sua necessidade de segurança durante o tratamento.
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